Stairways uniting Rio de Janeiro and the world

 

A landmark of Brazilian people’s architecture, the stairways as improvised in favelas are the motive of visual artist Thiago Facina’s work “ESCADAS” that already was exhibited in Brazil, Germany and France; the photographer has provided documentary images for more than 100 spaces in almost 10 years.

“Imagine anyone carrying stove, refrigerator, sofa, food shopping bags up and down 138-250-step stairways everyday”?, Thiago Facina provokes.

After having lived for two years in Rio de Janeiro city’s favelas, the photographer and visual artist has realized it would no longer make sense either to keep aiming his camera to the signs of misery and violence, or reinforcing such visual clichés as the kites being flown over the huts’ slab-roofs, the barefooted soccer playing and the sexy bodies at funk dances.

“People attach little value to one of the main characteristics of a favela: house building. In favelas, construction is a part of their culture, a common-peoplearchitecture, vernacular architecture, with its knowledges and materials and its negotiation of space. Rio de Janeiro is a city of hills, and favelas built on them need many stairways. If around 2 million people live in favelas in the city of Rio, at least half of them live in some kind of slope. From having lived there, I understood their strain”, Thiago tells, having begun to photograph them in 2009 and never stopped since.

“Each favela I visit makes me change my opinion about the one before. Sometimes, astairway I find in one favela takes me back to another, to remake my photos. Such immersion teaches me everyday the value of such process. Keep coming back and forth, trial and error until a permanent edition is found”, the artist explains, who has degrees of graduation in Social Communication and master in Social Sciences at State of Rio de Janeiro University (Universidade do Estado do Rio de Janeiro –UERJ).

The series “ESCADAS” balances aesthetic investigation and documentary relevance. The photos are black-and-white records capturing the graphisms on the stairways, their dimensions and the way they dialogue with their environment. In Thiago’s images, stairways mingle with houses, streets, people, with day and night lights. These are public and private spaces, they are symbols of social rising.

“Stairways there show the needs and urgencies of local dwellers. A stairway may be supported by a stone, or by another stairway, or it may just connect two doors; possibilities are many, where the magical graphism arises reminding (the Dutch graphic artist) Escher or (the Italian engraver) Piranesi. The unshy dealing with the basic concepts of classical architecture has led the favela dweller to invent stairways that mingle with one another, thus creating something that is fantastic”, Thiago comments to climb one more step: the psychological symbolism of stairways.

“Who has never had a dream about stairs? I have been thinking much about that in my latest pictures. This is a trait superimposing on the aesthetic and sociological traits of this series. We are all labyrinths, an infinite labyrinth that rejects the fiction of limits, and this dimension has directed me much during my latest photos.”

 

Escadas que unem o Rio de Janeiro ao mundo

 

Marco da arquitetura popular brasileira, as escadarias improvisadas das favelas são o tema do trabalho do artista visual Thiago Facina que já foi exibido no Brasil, Alemanha e França; fotógrafo documentou mais de 100 espaços em quase 10 anos

“Imagine carregar fogão, geladeira, sofá, as sacolas de compras, subindo e descendo 138 degraus, 250 degraus, todos os dias?”, provoca Thiago Facina.

Depois de morar por dois anos em diferentes favelas cariocas, o fotógrafo e artista visual percebeu que não fazia mais sentido mirar sua câmera para os signos de miséria e violência, ou reforçar clichês visuais como as pipas na laje, o futebol descalço e os corpos sensuais dos bailes funk. O elemento mais instigante a unir e representar o cotidiano daquele universo estava ali mesmo, sob seus pés.

“As pessoas dão muito pouco valor a uma das principais características de uma favela: a construção civil. A construção das favelas é parte de sua cultura, uma arquitetura popular, arquitetura vernacular, com seus saberes, seus materiais e sua negociação sobre o espaço. O Rio de Janeiro é uma cidade de morros e as favelas precisam de muitas escadas. Se cerca de 2 milhões de pessoas moram em favelas no Rio, pelo menos metade delas está em uma  favela com algum tipo de inclinação. Quando morei em uma foi que entendi o drama”, conta Thiago, que começou a fotografá-las em 2009 e nunca mais parou.

“Cada favela que visito, me faz mudar o que eu achava da anterior. Às vezes acho uma escada em determinada favela que me faz voltar a outra e refazer as fotos. Essa imersão me ensina todos os dias o valor do processo. Ficar indo e voltando, testando e errando até encontrar uma edição permanente”, explica o artista, que é graduado em Comunicação Social e tem mestrado em Ciências Sociais pela UERJ.

São registros em preto e branco que flagram os grafismos das escadarias, suas dimensões e a maneira como dialogam com o entorno. Nas imagens de Thiago Facina, as escadas se confundem com as casas, com as ruas, com as pessoas, com as luzes do dia e da noite. São espaços públicos e privados, são símbolos de ascensão  social, pertencimento e criatividade.

“As escadas expõem as necessidades e urgências dos moradores. A escada pode estar apoiada numa pedra, em outra escada, ligar apenas duas portas, as possibilidades são muitas. E é daí que vem esse grafismo mágico que lembra o (artista gráfico holandês) Escher, ou o (gravurista italiano) Piranesi. A falta de pudor com conceitos básicos de arquitetura clássica, levou o morador de favela a inventar escadas que se misturam entre si, criando algo fantástico”, comenta Thiago, avançando mais um degrau: o simbolismo psicológico das escadas.

“Quem nunca sonhou com escadas? Tenho pensado muito nisso nas últimas fotos que fiz. Esse é um aspecto que se sobrepõe ao estético e ao sociológico desta série. Somos todos labirintos, um labirinto infinito que rejeita a ficção dos limites, e essa dimensão tem me direcionado muito nas últimas fotos.”